segunda-feira, 27 de outubro de 2014

"PÉTALAS ESCRITAS"

"PÉTALAS ESCRITAS"

Escrevo, escrevo a minha divina poesia
Para não gritar ao vento, à chuva
Ao perceber que muitas vezes estou só
Irremediavelmente sozinha em pensamento
Procurei-te meu amor, e não te encontrei...
Procurei os teus olhos, e não os achei
Procurei os teus lábios, e não consegui senti-los
Procurei o sabor da tua boca, e não consegui imaginá-la
No caminho do amor encontrei um jardim de rosas vermelhas
Feitas de pétalas nos teus, nos meus, nos nossos olhos
De pranto um rasgo no céu, abrirá um manto de lágrimas que cobrirá
A nossa felicidade onde eu deixei escrito nas estrelas
Poemas no desabafo das letras, do tempo que nos envelhece
No final vivo, canto, mesmo sem voz, na tamanha vontade de fluir
E eu procurei-te meu amor ao amar-te tanto sem rumo
Para não gritar ao vento que estou irremediavelmente só
Na minha divina poesia, onde o alívio da minha dor
Está em olhar para a dor de quem esta tão próximo "tu meu amor".

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

domingo, 19 de outubro de 2014

"PEDACINHOS SOLTOS"

"PEDACINHOS SOLTOS"

Colei todos os pedacinhos soltos da minha alma
Carregados de dor sem entender
Colei um a um
Com muito cuidado para não perder nenhum.
Coloquei-os no meu coração em silêncio
A minha alma chorou
De todas as dores que me feriram
Sentido o vazio de um eco de emoções
Que a dor causou.
Não procures descobrir todos os segredos que eu escondo
Contenta-te com as pétalas caídas
Das rosas mais belas do jardim
Dispo as letras do sonho que vesti
Pedaços da alma que te dei
Desta dança de lágrimas caídas na valsa de sentimentos
Despeço-me das emoções que nasceram sem ritmo
Corpo isento de sensações
Não queiras ver para além do que te mostro
Noites do nosso esquecimento
Onde vês nas minhas palavras tudo o que sou.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"QUIMERA SECA"

"QUIMERA SECA"

Outono, inverno
O jardim esta seco
As arvores despidas suspiram liberdade
Iluminam as almas
Perdidas, esquecidas
Ventos silenciosos ardem nos corpos nus
Anjos de luz onde a morte não afaga-nos
Abafa-nos a nossa identidade
Sem a diferença
O sangue não circula
Chama-te, sente-te
Chora, fecha-se, deseja-te
Implora-te por breves momentos.
Os olhos aprendem a ver sem julgar
Não há vida sem morte...
Não há criação sem poesia
Fiz uma porta da minha casa
Virada para o jardim dos sonhos
Vivi e vivo dentro dele
E vi as rosas a florir
Quimera de esperança, nua e penitente !

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"Ó MAR"

"Ó MAR"

Ó mar, de coração atroz, sentimento feroz
Prisioneiro encantado, nas vagas das sereias

Ó mar, marinheiro perdido, esquecido
Dá-me o teu amor, por mais que eu te ofenda

Ó mar, peço-te uma rosa perfumada
Deste frágil coração como a tua espuma.

Ó mar, abençoada força da rocha
Que a vulgaridade me tenta envenenar.

Ó mar, eu sonhava ser como tu és
Ser o teu sal, o teu iodo, a tua crueldade

Ó mar, ó tempestade, ó enfadada vida
Cicatriz sem esperança que sempre dói.

Ó mar, ó infância esta minha, que me deixa
Enganado de lembranças, que morro de saudade!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca